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Tô no Palco entrevista: Banda Amaduscias
Karen Waleria - 26-12-2009 21:48
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Karen Waléria conversou com o baterista Rodrigo Sardi, que apresenta a banda Amaduscias, direto do Sul para todo o País.



Tô no Palco: “Amaduscias” é o padroeiro e protetor da música pesada, correto? Como surgiu a idéia de usar esse nome? Conte-nos um pouco da história da banda.

Rodrigo: Exatamente, Amaduscias é “padroeiro e protetor da música pesada”. Esse nome deu-se quando procurávamos um nome forte, que pudesse “suportar” o metal extremo e que tivesse um significado histórico. A Amaduscias passou por algumas mudanças na formação, acredito que uma das mais significativas até o momento foi a inclusão do vocalista Carlos, ele surgiu em um momento que a banda estava em transição de estilo, estávamos meio perdidos na parte das vozes, nos encontrávamos em estúdio gravando o instrumental do single “Only One Nation”. O Carlos já era nosso conhecido há um bom tempo, conhecia um pouco as músicas, após uma insistência ele aceitou gravar e em seguida, permanecer na banda. Foi uma boa fase, não chegamos a fazer nenhum show com ele, pois a distância nos impossibilitou de continuar juntos, precisamos procurar um vocalista que pudesse substituir ele a nível, que tivesse tempo para ensaios freqüentes, foi assim que encontramos o Estevan, também nosso amigo a muito tempo. Com a entrada de Estevan foram surgindo convites para shows, como a abertura para o show do Krisiun em Porto Alegre e dos franceses do Otargos em Santa Maria.

Tô no Palco: Com quem vocês gostariam de dividir o palco?

Rodrigo: Gostaríamos muito de ter dividido palco com uma banda em especial, a Rebaelliun (RIP). Além deles tem várias bandas brasileiras que gostaríamos de tocar juntos, muitas estrangeiras também, mas uma coisa é certa, se nos convidarmos para show com várias bandas e que todas sejam sérias e decentes, não vemos problema algum em não aceitar.

Tô no Palco: No início da carreira da banda, vocês utilizavam o corpse-paint, as pinturas no rosto, como fazem os integrantes do Gorgoroth e do Kiss, por exemplo. O que levou vocês a desistirem do uso de corpse-paint?

Rodrigo: Nós entendemos que o uso do corpse-paint seja como usar uma armadura para ir para a guerra. Acontece que infelizmente está banalizado o uso do corpse-paint por pessoas que mal sabem por que do uso dele. Além disso, mudamos um pouco o direcionamento instrumental de nossa música, o que talvez em respeito ao corpse-paint, seja melhor parar de usar. Outro motivo e talvez o mais importante de todos seja que sempre perdíamos um bom tempo para fazer o corpse-paint. Resolvemos abandonar definitivamente, pensando em também poder fazer um preparo antes dos shows, e assim, melhorar nossa performance ao vivo.

Tô no Palco: Como foi a estréia do Estevan nos vocais no show do Krisiun, em Porto Alegre? Como vocês sentiram a receptividade do público?

Rodrigo: O Estevan nunca teve banda ou sequer havia cantado num microfone, mas um grande diferencial é que ele vive a música há muitos anos, posso dizer que desde “pequeno” ele curte “metal”, já conhecia praticamente todas as músicas da banda, ia antigamente inclusive a nossos ensaios, foi uma adaptação muito rápida e em poucos dias ele estava pronto para seu primeiro show, logo ao lado do Krisiun, no Opinião, em Porto Alegre. A receptividade do público foi muito intensa, soubemos usar muito bem essa nova fase, o que deu um novo ritmo a Amaduscias.

Tô no Palco: Qual é a atual formação da Amaduscias?

Rodrigo: A atual formação da Amaduscias é: Rodrigo (bateria / backing vocal), Evandro (guitarra), Estevan (vocal) e Alexandre (baixo).

Tô no Palco: O que você diria a respeito de aliar as funções de baterista e vocalista?

Rodrigo: Desde o início da Amaduscias eu já tinha o objetivo de tocar bateria e cantar, isso porque tocávamos black metal, um estilo aqui em nossa região quase escasso de quem viva e possa tocar e cantar conosco. Claro que tem suas dificuldades, não tenho como dizer ao contrário, mas aos poucos eu fui me acostumando e passamos um bom tempo assim, fizemos alguns shows em que eu tocava e cantava, mais o baixo e guitarra. Foi mais ou menos ali pela entrada do Carlos na banda que eu decidi evitar os vocais, já que tivemos uma considerável alteração instrumental. Isso dificultou (e muito) para que eu permanecesse ocupando as duas funções, tudo tem um limite e naquele momento, ou eu cantava, ou tocava. Mas continuei a fazer os backing vocals.



Tô no Palco: Quem é o compositor das letras e do instrumental da Amaduscias?

Rodrigo: O compositor de nossas letras e da maioria do instrumental (salvo a bateria que eu faço) é o guitarrista Evandro. Nossas letras falam sobre ensinamentos deixados por nossos ancestrais. Hoje em dia as pessoas esquecem que os “antigos” viveram em um tempo em que a palavra era mais valiosa que qualquer outra coisa e talvez por isso que as coisas funcionavam muito mais do que hoje.

Tô no Palco: Qual a inspiração e ideologia da banda?

Rodrigo: Falamos do orgulho em morar em nosso estado, mas nunca um orgulho separatista, acreditamos que o Brasil é um todo (confiram nossa letra “Only One Nation”). Qualquer um que usar a bandeira de seu estado como orgulho e não de forma separatista, estará fazendo isso porque é algo que acredita ter valor. Existem muitos comentários de que o nosso estado é visto como um povo separatista, até mesmo racista, mas eu acho que isso existe em todo o Brasil, em todos os povos, vou muito além, em todo o mundo. O que eu posso ter certeza ao escrever é que ninguém da Amaduscias tem qualquer ligação com separatismo e muito menos com racismo.

Tô no Palco: Como vocês avaliam a cena metal nacional e internacional?

Rodrigo: - Tanto o Brasil quando os outros países possuem bandas excelentes, de grande nível. O que diferencia é que no Brasil a pobreza dificulta muito mais o desenvolvimento da música, dos shows, das bandas. No exterior o público acredita mais nas suas bandas, comparecem nos shows de bandas de nativas. Aqui no Brasil a mentalidade continua como há muitos anos, existe o valor ao cenário e bandas do exterior muito maior que para as bandas do Brasil. Você pode ver isso comparando os shows que estão acontecendo no Brasil, quando vem bandas de fora, os shows possuem um público baixo, mas razoável, enquanto os shows brasileiros estão cada vez com público menor. O que fazer para fortalecer a cena? Poderia começar pelo público, comparecer aos poucos shows que acontecem, os valorizem, certamente haverá muitos outros organizadores, com um público bom, as bandas poderão ser mais valorizadas e cobrar um cachê. Da mesma forma o público deveria comprar os materiais de divulgação das bandas e deixar de ficar na frente dos locais dos shows, enchendo a cara em vez de valorizar os eventos. Reclamar é fácil, mas analisar e mudar os próprios erros é o difícil!

Tô no Palco: Vocês já se sentiram alvo de preconceito, devido ao fato de ser uma banda de Black Metal?

Rodrigo: Sim! No início toda banda de black metal vinda do Sul do país passa por algum tipo de preconceito relacionado a separatismo e até mesmo algum tipo de racismo. Sempre deixamos claro que nós da Amaduscias não temos nenhuma ligação com separatismo e muito menos com qualquer tipo de preconceito ou racismo. Em um país como o Brasil, onde poucos sabem suas verdadeiras origens, é um pouco complicado querer bancar o preconceituoso.


Tô no Palco: Como vocês encaram os downloads ilegais e a pirataria?

Rodrigo Primeiramente acho que a disponibilidade de mp3 na internet veio de forma positiva para a divulgação das bandas. Lembro muito da época que eu trocava k7, muitas delas com gravações péssimas, e ouvia até estragar, era muito legal aquela sensação de conseguir algo “raro”, mas se você parar para pensar, “raro” aqui no Brasil, porque lá fora o mercado já rolava e o cenário já crescia muito há muitos anos, sendo assim, eu aprovo o uso da internet para a propagação da música. Hoje temos acesso a muito mais bandas, de todo mundo, por mais desconhecidas que forem e com a qualidade que as bandas disponibilizam seus materiais. Claro que eu acho que, quando o caso é baixar um álbum inteiro, nesse caso sim eu acredito que as pessoas deveriam ter acesso somente para conhecer e depois comprar os álbuns, caso contrário, nem as gravadoras e muito menos as bandas terão condições de continuar investindo para outros lançamentos. Agora vem uma parte que eu acho interessante de pensar, se as gravadoras reclamam tanto da pirataria, querem fazer e acontecer, prender as pessoas que fazem os downloads, porque elas não baixam mais o valore dos CDs para o consumidor? Afinal, as bandas não são tão beneficiadas assim com os direitos autorais. E um dos fatores que eu acho mais importante de se avaliar, eles dizem que o download se propaga de forma exagerada, culpando o público disso, mas pensem comigo, muitas vezes eles anunciam o lançamento de tal CD para um mês a frente da notícia, se você for procurar “na rede”, pelo menos 20 dias antes desse lançamento, já está disponível versões para audição e até mesmo, a versão final dos CDs ainda nem lançados! Então, como que é culpa do público se nem temos acesso “físico” desse material? O furo está lá dentro das gravadoras, será que não existe um responsável para a edição desse material? De onde saem essas versões para a pirataria? Ou é uma jogada de marketing deles liberar antes as músicas, ou então a primeira pessoa que eles devem pedir a prisão está trabalhando “ao lado/contra” eles mesmos e então, a culpa é de quem a pirataria inicial?

Tô no Palco: Nos conte tudo sobre o CD "War and Conflicts" e sobre a coletânea "The Essence of Black Metal". Quais as diferenças do futuro álbum em relação ao promo "Moral, Honour, Truth”?

Rodrigo: Sou um grande apreciador de coletâneas. A "The Essence of Black Metal” é uma obra idealizada pelo amigo Hioderman, um grande batalhador da cena brasileira. Pra mim o objetivo de toda e qualquer coletânea é fazer com que várias bandas consigam levar seus trabalhos de uma única vez para as pessoas. Para mim não existe semelhanças entre nosso promo-CD "Moral, Honour, Truth” lançado em 2004 para o futuro CD "War and Conflicts". São épocas diferentes, formação diferente. Houve uma grande e notável evolução dos músicos, das composições e principalmente, terá na qualidade de gravação. Isso vocês podem conferir em nosso recém lançado EP “Surrounded By Darkness”, já disponibilizamos músicas em nosso Myspace oficial.



Tô no Palco: Excetuando a internet, existe(m) rádio(s) divulgando a Amaduscias? Como fica o famoso “jabá”?

Rodrigo: Com certeza existem várias rádios nos divulgado, já desde o lançamento de nosso promo-cd em 2004. O crescimento dos meios de comunicação é beneficiado dia-a-dia por novas tecnologias e assim, a propagação de novas rádios é algo visível, não é mais tão difícil como era antigamente para possuir um programa de rádio. E a Internet nos facilita para que rádios de outros países também nos divulguem e para que mantenhamos contato. O famoso “jabá” fica para as bandas de pop rock (e olhe lá!). Em geral as bandas de “metal” ficam “na saudade”, afinal, fazer uma rádio de “metal” também não deve ser algo muito rentável...

Tô no Palco: Poderia nos adiantar quais os próximos shows agendados da Amaduscias?

Rodrigo: Temos algumas propostas de show para fevereiro e março de 2010, mas ainda nada concretizado. Esperamos que no próximo ano possamos fazer muitos shows, principalmente fora de nosso estado.

Tô no Palco: -Rodrigo, obrigado pela entrevista. Para finalizar, deixe um recado para os fãs da Amaduscias e para os leitores do Tô no Palco.

Rodrigo: É sempre uma honra divulgar a Amaduscias e tirar quaisquer dúvidas sobre nós. Caso tenha ficado alguma dúvida em nossas respostas, peço que entrem em contato conosco, dentro da medida do possível sempre respondemos os emails e cartas. Fiquem ligados no nosso My Space que em breve disponibilizaremos mais músicas do nosso EP e informações sobre o futuro CD “War and Conflicts”. Grande abraço a todos e mais uma vez, obrigado pela entrevista.

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